Capítulo Sessenta e Cinco – Muito Suave
A saída inesperada de um ator já escalado é algo bastante comum para qualquer equipe de filmagem. Na maioria das vezes, o motivo é que receberam uma proposta para um novo projeto mais interessante ou de maior prestígio. Assim como, anteriormente, quando Meng Bai convidou Wang Longzheng, este também recusou outro projeto para aceitar “Crimes Psicológicos”.
Por isso, ao receber a notícia, a reação imediata de Meng Bai foi perguntar se a atriz havia aceitado outro papel em alguma produção nova.
Para sua surpresa, Hua Yan balançou a cabeça e explicou: “O irmão Liu averiguou e parece que a garota teve um problema familiar, algumas questões pessoais, não é que tenha aceitado outro trabalho”.
Meng Bai assentiu. Se o motivo era particular, não havia o que fazer. Afinal, ainda não tinham assinado contrato; não havia nada a reclamar caso a atriz desistisse.
Por sorte, a equipe tinha alternativas.
“Peça ao diretor Liu que procure a mãe daquela garota, Zhao Jinmai, e veja se os horários e a disponibilidade batem”, instruiu Meng Bai. “Diga que o cachê e os benefícios continuam nos mesmos termos, podemos até ajustar um pouco para cima, mas nada fora do padrão, senão é melhor eu buscar outra pessoa.”
“Entendido”, respondeu Hua Yan, saindo do escritório. Pouco depois, porém, reapareceu à porta, de maneira furtiva.
Notando o movimento, Meng Bai lançou-lhe um olhar e perguntou: “O que é isso? Está tramando me assassinar?”
“Que nada”, riu Hua Yan. “Tem uma... moça lá fora, acho que é sua irmã. Bem bonita, disse que veio te procurar.”
“Irmã?” Meng Bai estranhou. “Ela não disse o nome?”
Hua Yan piscou: “Ah, esqueci de perguntar.”
“Maravilha!” Meng Bai respirou fundo, levantou-se e saiu, dizendo enquanto caminhava: “Por essa falta de atenção, desconto duzentos reais do seu pagamento. Depois procure o financeiro para registrar.”
“...Tá bom.”
Ao sair da sala de preparação, Meng Bai avistou de longe a silhueta de uma mulher. Uma blusa vermelha justa, um laço de seda na cintura, delineando as formas delicadas do corpo. Usava shorts jeans, deixando à mostra pernas longas e alvas.
Ela estava de pé, observando os estudantes que passavam em frente ao prédio principal. Sua expressão era impossível de decifrar, oculta por óculos escuros grandes.
“Ora, irmã, veio ao campus e ficou nostálgica pela juventude?”, provocou Meng Bai ao se aproximar.
“Nostálgica? Ora essa, estou mais jovem do que nunca!”, respondeu Qin Lan, tirando os óculos escuros e lançando-lhe um olhar severo. Logo, abriu um sorriso vibrante e estendeu os braços: “Quanto tempo! Venha cá, dá um abraço na irmã.”
Meng Bai não hesitou diante do convite. Puxou Qin Lan para um abraço apertado, ouvindo um pequeno grito surpreso dela.
“Pronto, já chega”, disse Qin Lan, um pouco atrapalhada, afastando-se e olhando discretamente ao redor. Só então, aliviada, percebeu que ninguém lhes dava atenção.
“Veja só, está ousado, hein? Aproveitando-se da irmã?” Qin Lan olhou para Meng Bai com um sorriso maroto.
Ela só queria brincar. Antes, Meng Bai sempre desviava do assunto, e ela se divertia provocando-o. Mas agora, para sua surpresa, o irmãozinho parecia ter mudado e era ela quem acabava na defensiva.
“Vamos ser justos, irmã, só obedeci à sua ordem. Como poderia estar me aproveitando?”
“Não me importa. Você acha que eu sou alguém que gosta de discutir lógica?”, retrucou ela.
“...”
Trocaram algumas piadas e logo esqueceram o pequeno incidente. Meng Bai, porém, ficou curioso com a visita inesperada de Qin Lan.
“Quando li o roteiro, prometi que iria à festa de comemoração. Mas acabei ocupada com as filmagens e não consegui ir. Depois, viajei para gravações internacionais e também não pude te parabenizar”, explicou Qin Lan. “Agora que acabei de voltar ao país, desembarquei aqui na Ilha Azul. Vi no seu perfil que você está montando uma nova equipe aqui, então vim te ver e, claro, dar os parabéns.”
Ao ler o roteiro de “Pêndulo”, ela já pressentira que seria uma grande obra. Por isso mesmo, fizera questão de usar seu prestígio para apresentar Gan Wei a Meng Bai.
Mas o que não esperava era que a estreia de Meng Bai teria um sucesso tão estrondoso. A “melhor amiga” ainda telefonou para agradecê-la, dizendo que Meng Bai trouxe lucros imensos ao Le Shi Net.
Durante o sucesso de “Barqueiro de Almas”, mesmo no meio das filmagens, Qin Lan acompanhava cada episódio. Sempre que via comentários elogiosos e notícias sobre os números de audiência, sentia-se orgulhosa, como se fosse parte daquele triunfo.
Meng Bai sorriu: “Na verdade, quem deveria agradecer sou eu. Só posso retribuir a ajuda da irmã Qin Lan com minha própria dedicação. Só espero que me conceda a chance de agradecer devidamente.”
“Olha só, está querendo se aproveitar de novo?” Qin Lan revirou os olhos, mas não conteve o riso. “Deixar ou não você se dedicar, a gente vê depois. Mas lembro que ainda me deve uma taça de vinho.”
“Isso é fácil, pago agora mesmo.”
-----------------
“Plim!”
As taças se tocaram, soando cristalinas.
“Adorei o lugar”, comentou Qin Lan, observando o ambiente: velas tremeluzentes, piano suave ao fundo, uma atmosfera toda elegante e insinuante.
“Para receber uma convidada ilustre, como bom anfitrião, precisava trazer a um lugar à altura”, respondeu Meng Bai, enchendo novamente as taças.
“É mesmo, quase esqueci que você é daqui da Ilha Azul”, disse ela. “Então poderia estar dormindo em casa.”
Meng Bai balançou a cabeça: “Nem tanto. Minha casa é do outro lado da Montanha Azul, mais de uma hora para ir e voltar. Além disso, a equipe vive trabalhando até tarde, é mais prático ficar no hotel.”
“Faz sentido. Se fosse dormir em casa, teria que avisar os pais quando chegasse tarde, é complicado.”
Qin Lan tomou um gole de vinho, enquanto observava Meng Bai à sua frente. Diferente do ano passado, agora, embora sua aparência não tivesse mudado, ele exalava uma confiança e energia renovadas.
Esse brilho era fruto do sucesso profissional, acrescentando à sua natureza tranquila uma dose de autoconfiança e ousadia.
Ao pensar nisso, Qin Lan sorriu. Antes, o irmãozinho era brincalhão mas raramente ousava provocá-la como agora.
Dizem que sucesso é o melhor “tônico” para um homem. De fato, até mesmo o rapaz ganhou outra postura.
E, sinceramente, essa mudança o tornava ainda mais atraente.
Principalmente por sentir que ela mesma tinha um pouquinho de responsabilidade por essa transformação, despertava nela um desejo de “colher os frutos”.
Mais uma taça de vinho, e o rubor suave coloriu o rosto de Qin Lan. Seu olhar tornava-se mais lânguido, os olhos brilhando como estrelas.
Enquanto Qin Lan o observava, Meng Bai também a analisava. Vendo aquele olhar úmido, lembrou-se do comentário da roteirista Qiong Yao: “Uma lágrima de Qin Lan, uma estrela nasce no céu”.
Pode ser exagero, mas naquele momento parecia a descrição perfeita.
“Quando li o roteiro, pensei: com uma história tão interessante, bem que eu poderia fazer uma ponta”, disse Qin Lan, apoiando o queixo na mão e inclinando-se para a mesa. “Mas entrei em outro projeto e não tive essa chance.”
“Se você tivesse dito antes, eu teria transferido o episódio da Yang Guifei para a segunda temporada só para esperar você interpretar”, respondeu Meng Bai.
“Yang Guifei? Está me chamando de gorda?” Qin Lan logo captou o que lhe interessava.
“De jeito nenhum, irmã. Pare de acreditar em fofocas históricas, ela era era voluptuosa, só isso. Além do mais, você nem chega perto de ser chamada de ‘gorda’.”
“Então está insinuando que meu corpo não é bonito?” Qin Lan inclinou-se para frente, e um decote generoso apareceu.
Era um espetáculo. Atrizes, para ficarem bem na tela, costumam ser magras demais, mas ela, surpreendentemente, mostrava-se com curvas e firmeza, como um fruto maduro e bem formado.
Na mente de Meng Bai surgiu uma palavra: exuberante.
Qin Lan logo se recompôs, satisfeita com a reação dele, e retomou o assunto principal: “Pena que já está tudo gravado.”
Depois de um suspiro, pareceu se lembrar de algo e perguntou, animada: “Ei, nessa nova série, tem algum papel interessante que sirva para uma participação amiga? Eu faço questão de aparecer!”