A Segunda Guerra Mundial, que se espalhou por todo o mundo, já se aproxima do fim, mas o declínio do Império Britânico está apenas começando. Estados Unidos e União Soviética vislumbram uma era gloriosa no futuro, cientes de que a aristocracia decadente já não é mais um obstáculo. "Embora eu não concorde com suas ideias, desfazer-se da Índia Britânica não é, de todo, algo negativo."
O ruído caótico do lado de fora da janela do ônibus chegava constantemente, mas Alan Wilson já havia desenvolvido a habilidade de ignorá-lo completamente, isolando-se do inglês carregado de sotaque e cheiro de curry que vinha da rua. Seu rosto jovem parecia ter sido alisado por um ferro de passar, e seus olhos não se desviavam um instante sequer do jornal que segurava. Na manchete da primeira página, lia-se em letras garrafais: "O Império Britânico está confiante de recuperar toda a Birmânia em questão de meses".
Um suspiro quase imperceptível escapou-lhe dos lábios, tão baixo que nem o próprio Alan percebeu. Ele dobrou o jornal, olhando para fora com indiferença, já surdo para os pregões em inglês que antes ecoavam ao seu redor.
Agora o ônibus atravessava o Portão de Delhi, entrando na região de Nova Déli, que futuramente seria a capital da Índia. Era 1945, e a principal diferença entre Nova Déli e a velha Déli era que a primeira fora construída pelos britânicos quando transferiram a capital para longe de Calcutá, considerada remota. Nova Déli era, há muito, reduto exclusivo de britânicos.
Em 1945, esse era o maior dilema enfrentado por Alan Wilson. O Império Britânico, que dominara o mundo por trezentos anos, estava em seu ocaso. Apesar de ainda possuir trinta milhões de quilômetros quadrados de colônias e um exército de cinco milhões de homens lutando em diversos campos de batalha, o fim da guerra mundial marcava o início de sua decadência.
Comparados aos Estados Unidos e à União Soviética, cada um com forças armadas superiores a dez