Su Yun jamais poderia imaginar que, após viver por mais de dez anos na Vila do Portão Celestial, era o único humano ali. Muito menos poderia supor que, além dos limites da vila, numa extensão de cem quilômetros ao redor, encontrava-se a famosa Zona Desabitada. Caminhar junto ao abismo, especialmente durante a noite, exige máxima atenção e cautela, como se pisasse sobre gelo fino!
Na “Ode à Capital Oriental” está escrito: Dentro dos quatro mares, as escolas são como florestas, e as portas das instituições estão repletas de alunos.
Essa frase descreve o esplendor da educação do Reino de Yuan Shuo.
Desde o Imperador Yuan, o reino estabeleceu escolas oficiais por todo o país. Nas áreas rurais, essas escolas são chamadas de sequências; nos condados, distritos, cidades e feudos, são chamadas de escolas; nos territórios e reinos, são chamadas de academias; e na capital oriental, a escola oficial é chamada de Grande Academia.
Qiu Shui Jing veio da Cidade de Shuofang até Tian Shi Yuan, mas o que encontrou pelo caminho era um cenário bem diferente do relatado na “Ode à Capital Oriental”.
As sequências das aldeias, longe de estarem cheias de estudantes, estavam quase completamente vazias; algumas já haviam fechado, tomadas pelo mato, raposas selvagens e criaturas fantásticas.
Nos últimos trinta anos, os habitantes das áreas rurais migraram para as cidades, restando apenas mulheres, idosos e crianças, que sobreviviam com pequenas lavouras. Isso criou muitos problemas.
O campo, na memória de Qiu Shui Jing, era o berço de sua infância, um lugar de montanhas límpidas e águas cristalinas, de gente virtuosa e talentosa; mas o que presenciou agora era um retrato de decadência moral e desordem.
Só a educação nas sequências das aldeias já era motivo de grande preocupação. Os jovens haviam partido para as cidades, restando apenas idosos e crianças. Os pais mais abastados levavam seus filhos consigo, enviando-os para as escola