“Grande imortal, quero vender objetos funerários; isso diz respeito ao incenso da minha família! Por favor, tente me ajudar a vendê-los?” “Grande imortal, a Montanha das Flores e Frutas virou ponto turístico, e meus macacos e descendentes ficaram sem lar. Ajude-me a vender alguns pelos de macaco; com o dinheiro, eu compro um zoológico para eles viverem.” “Senhor celestial, as cenouras que plantei no Palácio do Frio Eterno deram uma colheita fartíssima. Ajude-me a encontrar um canal de venda; em troca, a serva lhe retribuirá com fotos refrescantes.” “Benfeitor, estas pílulas que acabei de esfregar do meu corpo, por favor, ajude-me a vendê-las. Depois eu lhe trago um dragão saltitante para servir de montaria.” Sheng Kou estava encostado atrás da porta, ouvindo os gritos vindos do lado de fora, com vontade de morrer! “Hoje eu tô de folga, não faço transmissão ao vivo, nem vendo nada!”
— Posso perguntar se o hospedeiro aceita vincular-se ao Sistema de Comércio Intermundos?
— E eu posso recusar?
Seng Kou estava deitado no quarto do Hospital da Zona Oeste da capital, todo o corpo enfaixado, parecendo um múmia de segunda categoria.
Sua consciência ainda estava desperta, mas ele era incapaz de controlar o próprio corpo.
Ele se comunicava por pensamento com aquele sistema que havia invadido seu corpo no instante do acidente de carro.
A razão de querer recusar o vínculo era simples: aquele sistema era um tanto quanto anormal.
— Por que me recusar? Eu sou um sistema! Subir ao topo da vida, casar com uma bela rica, tudo depende de mim!
— Não tenta me enrolar. Eu já vi esse truque das muletas. Fiquei manco de tanto ser enganado! Vender para todos os mundos, montar para mim uma plataforma e uma sala de transmissão independentes, ainda por cima arrumar divulgação e tráfego pela rede mundial, e prometer um retorno altíssimo... tudo isso é conversa para boi dormir. E você ainda disse há pouco que, se eu não concluísse a tarefa, sofreria uma punição severa! Eu mesmo sei do que sou capaz ou não. Tive a sorte de viver outra vez; não quero correr risco. Ainda tenho muita gente para cuidar, muita coisa para fazer. Eu não posso morrer!
Seng Kou vivia pela segunda vez. Na Terra, fora um assalariado miserável; antes mesmo de se casar, foi atropelado e morreu ali mesmo.
Ele pensou que, com a morte, tudo acabaria.
Mas sua alma atravessou para um mundo paralelo à Terra. Dizer paralelo era até generoso, porque havia m